quinta-feira, 16 de agosto de 2012


10 mandamentos da contação de histórias

  1. Escolha uma história da qual você goste muito e deseje contar.
  2. Leia essa história muitas vezes.
  3. Feche os olhos e imagine o cenário, os personagens, o tempo e outros elementos constituintes do enredo.
  4. Escolha a voz para o narrador e para as personagens da história.
  5. Exercite seu poder de concentração.
  6. Aprenda como criar o gosto pela leitura conforme a idade do aluno.
  7. Tenha cuidado com sua postura e os vícios de linguagem.
  8. Conte para alguém antes de contar para todo mundo.
  9. Na hora de contar, olhe para todo: olhar diz muita coisa.
  10. Seja natural, deixe falar seu coração e seduza o ouvinte para que ele deseje ouvir novamente.



HISTÓRIAS PARA CONTAR E ENCANTAR......

O TÓ E O CÃO NARUK




O TÓ é um menino que apascenta as cabrinhas, leva-as todos os dias aos pastos verdes
para que elas fiquem felizes e encham a barriguinha, depois...bem lá para a tardinha regressa
a casa onde o espera o avô afim de procederem à ordenha.

O TÓ, tem muitos amigos lá na sua aldeia
mas sonha que há-de ir para a cidade
pois é um estudante de mão cheia
e logo, logo, terá mais idade!

Ah...mas ainda não partiu
e já sente que vai ter saudade
Dos prados, do rio...
E dos amigos por quem tem muita amizade.
Às vezes conversa com o amigo RUI
e lhe confessa ...olha RUI eu já estou com saudade
e ainda não fui...
Diz o RUI, arranjaremos maneira de cá voltar
talvez na primavera
Vamos os amigos todos juntar
pois a nossa amizade é sincera.

O avô do TÓ já procedeu à ordenha
há leite fresquinho,
para beber e fazer bom queijinho.
Hoje o avô está feliz pois nasceram
dois cabritinhos,
com tão poucas horas de vida
já andam aos saltinhos.
Amanhã já vão ao pasto com o TÓ
e assim o menino com tanto amigo
nunca se sente só.

lindos cachorros
Ah...já me esquecia...
É que o cão NARUK,
Também faz muita companhia.
Não deixa tresmalhar as cabrinhas
trá-las todas sempre juntinhas.
E faz  ão...ão...ão...!
Vai latindo sem parar
Como quem diz: por aí não...por aí não!
Fazem favor de voltar!
É uma grande ajuda que o TÓ tem
e é um grande amigo também!

Ora bem, quem nasceu na aldeia
não esquece nunca os dias ensolarados
as árvores em flor
o cantar dos pássaros em liberdade
Os amigos amados
O seu primeiro amor
E tudo lembra para sempre com saudade.

As primeiras letras e algarismos,
o primeiro professor...
A escola branquinha com risca amarela
E a secretária onde se sentava, junto dela.
Lembrará o quadro, e o adro,
as brincadeiras à apanhada
e as ruas estreitinhas da terra amada.
As hortas, e as festas tradicionais
Os foguetes a banda, não esquecerá jamais.

Mas o TÓ vai crescer e tomar rumo na vida
leva no coração a terra querida
e quando tiver netos, vai contar-lhe a sua história
e tudo o que guarda na memória.

Espero que os meninos que ouvirem a história, não se esqueçam do TÓ
pois na verdade é um menino com muitos bons sentimentos, sempre pronto a ajudar
na lida do campo os avós que o ajudam também a crescer, dando-lhe lições de vida.




A LAURINHA E O AVÔ QUIM




A LAURINHA olha atentamente o avô Quim que anda a semear os coentros,
num canteirinho virado ao sol, e abrigado do vento. Ao lado está o canteiro
das ervilhas de cheiro e bem colorido já ... está o preferido do avô que é 
o canteirinho das alfaces verdes e roxas, crescendo dia a dia que dá gosto ver...
Mas a menina se preocupa com a saúde do avô e acha que ele deve estar cansado.

Ai avô... quem dera ter uma horta assim!
Para plantar coentros salsa e alecrim...
Mas claro tenho que aprender
E é contigo se me quiseres ensinar,
eu prometo merecer, 
e quando souber plantar e cuidar
Aí sim... já tu podes descansar!

O avô QUIM, ficou bem animado,
com a oferta da LAURINHA
Ui...suspirou de tão cansado!
Sentou-.se perto da sua netinha,
contando-lhe muitas histórias de quando era 
da sua idade...e,
ai como a lembrança lhe trazia saudade!!!
Até uma lágrima rolou
no rosto do avô.

Então lembrou que em pequenino,
tinha um burrinho
Que o transportava a caminho
da horta, outras vezes o levava pela arreata.
Cinzento era o burrinho, côr de prata!
E olhos meiguinhos, lá ía com passos miudinhos,
ao encontro de seu avô,
enquanto a avó ficava em casa cozinhando
o almoço. 
E de novo suspirando
diz o avô com saudade: ai... como eu era tão moço!

espantalho decoupage


Conta que com paciência seu avô
lhe ensinou
a fazer um assobio
com uma cana verde que apanhou perto do rio.
A menina ouviu...ouviu...
e não desistiu, com olhar sorridente,
ao contrário do olhar sombrio
do avô QUIM disse:
Avô um dia, vou contar aos meus netos
que tu eras muito meu amigo, que eu
era a neta a quem davas mais afectos.

E assim num abraço apertado a LAURINHA, 
demonstrou o seu amor pelo avô, e nunca vai esquecer as lições sobre horticultura.
Quando florirem os seus canteiros de cheiros e de flores que tratará com ternura,
levará também para a avó MARIA
que ficará tão contente, que a abraçará com alegria.

Finda esta estória aqui, mas já vinha aí a saltar um CABRITINHO que acabou de nascer, e a LAURINHA, vai voltar para outra estória contar, pois é verdade...é que ela também gosta muito dos animais, e lá na quinta eles nunca são demais. Há galinhas no poleiro, e ovelhinhas a pastar, a comida está no celeiro e não convém acabar, mas a natureza tudo nos dá... devemos aquietar-nos...e aceitar  o que nos é dado... a cada dia que passa e assim sermos felizes com a ajuda de Deus!


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A HISTÓRIA DA FIGUEIRINHA



Hoje lembrei duma figueirinha muito especial, então resolvi contar a
história bem real.

Era uma figueirinha, a tantas igual
Foi plantada no tempo dos bisavós
Mas em dia de temporal
Foi arrastada pelas águas
Ficando no meio do rio
A sós...!
Porém,
tinha a raíz bem forte
ficou sempre à terra ligada
e ninguém
conseguiu dali arrancá-la.
Nem o vento do norte!
Pois tinha a amizade da menina a segurá-la.


A figueirinha que vos falo, era
bem mimosa, ostentava suas verdes folhas
e seus belos figos roxos...
Na Primavera,
lá ía sua amiga a menina com quem conversava.
A menina ao tronco trepava, sentava-se,
e a figueira a convidava a comer seus figos roxinhos.
A menina agradecia, comia
e repartia com os peixinhos...
Ah! E também com os passarinhos...,
que por alí perto nos salgueiros tinham os ninhos.
A menina e a figueira eram então muito amigas,
em troca dos figos a menina cantava-lhe cantigas
com muito amor, 
a música vinha do rumor
das agúas do açude,
que caíam em catadupa, brilhando ao sol da tarde...
Ah! Como a menina tem saudade...!

Molhava os pés...e ria...ria com alegria.
Ali só estava ela a figueirinha e por companhia
os peixinhos, e os passarinhos.
Durante muitos anos sempre houve esta amizade
Todos compartilhavam suas vidas,
a menina e a sua ansiedade...
queria ser grande ter mais idade!
Os salgueiros queriam suas hastes, robustas mais crescidas.
O rio enlouquecia por chegar ao mar
Os passarinhos de ramo em ramo não pararam de saltitar.
O açude esse continuava a cantar, melodias de encantar,
e a figueirinha...essa, esperava p'la menina, sempre na ânsia de a ver regressar.

Lá ficou no meio do rio, aguentando as investidas 
do temporal.
E foi assim tal qual!
Um dia já cansada 
de esperar se deixou adormecer,
e assim, p'la água foi levada
acabou por morrer...


Mas não fiquem tristes...
Pois...valeu a pena prá figueirinha viver,
sempre  teve bons amigos, viveu feliz
e hoje a menina a recorda com muita ternura.
E assim ERA UMA VEZ...uma figueira diferente
Que dava figos com doçura,
para a menina sómente...!
Que os repartia com os passarinhos
e com os peixinhos,
que também a sua falta sentiram.
E os meninos se admiram?
Foram tempos de muito amor e união!
E que ainda hoje a menina lembra e traz no coração.

São recordações pois então...
gale franey,imagensdecoupage.blogspot.com/

Agora deixa-se na margem a olhar
para aquele lugar,
lá está o rio a murmurar
E ela tudo ainda ama...
E parece-lhe ouvir a figueirinha
que por ela chama!

À próxima virei contar-lhes outra história verídica,  duma menina e seus amigos de escola.
Quem contou a história?
A RITA... claro, a que tem no cabelo uma fita, a que não pára de sonhar...por isso tanta história tem para vos contar.






A MENINA BORBOLETA E O COLIBRI



Andava a menina Borboleta distraída
Pousando aqui e ali...
Ouviu queixar-se da vida
Um bonito Colibri.

Porque te queixas Colibri?
Se o vento está de feição!
Sorri, sorri...sorri!
Esquece logo a solidão.

Olha, olha quem ali vem!
Joaninha amiga tão boa!
Chora ela também!
Que seu pai foi pra Lisboa.

Eu também tenho saudade
Duma outra Primavera...
Lá dum jardim da cidade
Onde tenho um amigo à espera.

Vou andando, passe bem!
Veja se alegra seu dia
Cante... cante muito e cante bem
Aí no cimo da ramaria.

Que o rouxinol também canta
Do nascer ao fim do dia
E o seu canto a todos encanta
Até à jovem Cotovia.

Hoje o céu está azulinhol
E até ele?... chega a palmeira!
Onde a Rolinha fez o ninho
Chegou cedo foi a primeira!

Novidades por aqui?
Anda aí um novo Zangão!
Anda sim, que eu bem o vi!
Veio para passar o Verão.

De férias vieram também
As Andorinhas lá do sul
Que mau feito elas têm!
Vêm quando o céu está azul
Mas não se dão com ninguém.

Bem  eu vou à minha lida!
Tenho flores pra visitar
Fique-se aí na sua vida
Que prá tarde hei-de voltar.

Ah...fique também a saber!
Que há aqui perto uma colmeia
Com abelhinhas a nascer
Dizem que a casa está cheia!

Um berçário bem guardado
A Abelha Mestra é a mãe
Trata das bébés com cuidado
As abelhinhas tratam dela também.

Ah...Logo, logo o rosmaninho
E também o alecrim
Vão ficar também cheinhos
De borboletas iguais a mim.

São minhas primas e vêm
De longe da Àfrica quente
Escreveram e dizem que têm
Muitas saudades da gente.

Que água tão clarinha
Já viu passarinho Colibri?
Vou matar a sede minha
E já volto de novo aqui.

Este vento rezingão
Nem é mau como parece!
Sempre nos dá um empurrão...
Depois abranda!
E a rabujice logo esquece.

E lá foi a borboleta colorida, com suas asas
multicolores, contente com a Primavera e com a chegada
de outros bichinhos que aparecem nesta estação do ano, rodeando
as flores do campo e dos jardins. Hoje está uma aragem leve
o odor da flor do limoeiro e da laranjeira se espalha no ar.
 Eu sou a ROSA e aqui bem sossegada no meu cantinho, ouvi esta conversa 
entre a Borboleta e o Colibri.







UMA JOANINHA FELIZ



Sou uma Joaninha muito alegre, vou contar
a minha história, chamo-me FLI, minha mãe FLÁ, meu pai FLU minha irmã mais novita  FLÉ e minha irmã mais velha FLO


Nasci num dia ensolarado
Meu pai nem estava por cá!
Nasci bem no meio do prado
Minha mãe se chama FLÀ.

Sou a filha do meio
FLI
Sou vermelhinha no verde
Gosto de passear no centeio
E de ir ao rio matar a sede.

A minha irmã mais nova
É linda e tão morena...
FLÉ
Por isso lhe faço uma trova
Eu cá sou Poeta,
Ela não...tenho pena!

Meu pai anda lá por Lisboa
Na avenida da Liberdade
Enquanto eu por aqui à toa
Não o esqueço e dele trago saudade.

Olhem só quem ali vem!
É minha irmã, a mais novita a FLÈ
Gosto dela como ninguém
Daqui de perto dela, não arredo pé.

Balouçamos no centeio
Com a ajuda da FLO e do vento
E quando o trigo estiver cheio
Ele será nosso alimento.

Por aqui temos fartura
Vivemos muito contentes!
Mas para alguns a vida é dura
E têm fome entrementes.
Hoje é grande a minha euforia
Faço anos pois então!
Minhas asas não páram, é tanta a minha alegria
Que aqui quero também passar o Verão.

Vou voar todo o santo dia
Entre uma e outra seara
Vou fazer como a formiga
Que de trabalhar não pára.
E quando chegar o luar
Recolhida eu vou estar,
Numa folhinha de milho
Mas amanhã vou voltar...
Pelo mesmo carreiro,
Seguindo o mesmo trilho
E das espigas sigo o cheiro.

De Lisboa está prestes o pai a chegar
E a mãe FLÀ está muito contente
Se o pai nos vem visitar
Está contente toda a gente.

E assim a estória termina
Que eu quero é ir brincar
Ainda sou tão menina
Que o vento me empurra ao voar.
Já vejo o dia a fugir
E o sol para trás da igreja
Gotas de cacimbo a cair
É a natureza benfazeja.




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